quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Delegar não é abandonar



Apesar de delegar ser uma importantíssima ferramenta no processo de gestão, a verdade é que muitos líderes ainda não sabem como fazê-lo. E por não compreenderem nem o conceito e nem os benefícios acabam se equivocado e perdendo tempo, produtividade, preciosos membros da equipe e isto para falar apenas nos primeiros sintomas...

Delegar de fato não é assim tão simples. Existem pré-requisitos. Estes requisitos começam por saber quais são os seus objetivos e metas. Sem saber qual é o resultado esperado, não é possível orientar e delegar. O gestor que sabe onde quer chegar, adquire uma visão global que o torna funcional e eficaz.

Além de conhecer seu trabalho e suas metas, o gestor precisa conhecer sua equipe e considerar seu grau de maturidade e seus talentos sempre levando em conta que nem todas as tarefas são delegáveis. Este conhecimento é a chave para a solicitação de tarefas de acordo com as habilidades de cada indivíduo e da equipe como um todo, desenvolvendo as pessoas, ensinando e aprendendo com seu grupo de trabalho. Quando esta parte é bem executada, o resultado é uma equipe capaz de enfrentar desafios cada vez maiores.

Vale destacar, no entanto, que as pessoas são diferentes e tem diferentes maneiras de decidir e executar suas obrigações. Ao delegar, cabe ao gestor o bom senso de entender que as pessoas irão errar algumas vezes, mesmo com apoio e orientação e que isto é parte do processo. É claro que estes erros tem seu limite no que diz respeito ao impacto sobre o resultado final, contudo, o gestor precisa respeitar, dentro dos limites cabíveis, a forma de trabalho de sua equipe sem perder o foco nos prazos e metas.

De acordo com a evolução do grupo, naturalmente haverá uma evolução nos níveis de autonomia e independência. Lembrando que autonomia tem a ver com a tomada de decisão e independência com a execução da tarefa. Dentre os benefícios de uma equipe desenvolvida e madura estão o melhor uso do tempo, férias mais tranquilas com a certeza de que tudo está sendo feito como deveria e a possibilidade de pessoas preparadas para a substituição do gestor. Um bom exemplo de substituição é a oportunidade de promoção. É sempre mais difícil quando não existe um membro preparado para assumir a posição que ficará vaga.

Normalmente neste ponto do processo, quando a equipe está integrada e funcionando com competência e eficácia é que vem a sedutora armadilha de abandonar as tarefas delegadas já que são executadas com propriedade. O gestor não pode se esquecer que a responsabilidade pelo sucesso ou pelo fracasso, sempre será dele independente do grau de maturidade e da eficácia de seu grupo. O monitoramento sistemático não deve ser deixado de lado sob nenhum pretexto sob pena de comprometimento dos resultados e até regressão da evolução conquistada.

O monitoramento norteia as fases da execução das tarefas, identifica eventuais questões que necessitem de ajuste, permite que o planejamento seja adaptado e faz com que todos estejam olhando na mesma direção maximizando os resultados. Delegar sem monitorar é tão incompatível com as ações de um gestor comprometido quanto não delegar.

Vale a reflexão: delegar é muito mais que distribuir tarefas sem critério. Além disto, sem monitoramento acaba trazendo sérias consequências. O gestor que souber usufruir dos benefícios desta poderosa ferramenta terá uma perceptível e considerável vantagem.